Aos 90 anos
Morreu Artur Agostinho e uma parte da história da rádio
22.03.2011 - 10:52 Por Ana Machado, Tiago Pimentel
Morreu nesta terça-feira o jornalista, locutor e actor Artur Agostinho, um rosto que fica ligado na memória popular à rádio, à televisão, ao desporto em geral e ao futebol em particular. Desconhece-se, ainda, a causa da morte.
Imagens do livro "A Nossa Telefonia", coordenado por Joaquim Vieira (Gabinete museológico e documental da RTP)
Artur Fernandes Agostinho nasceu a 25 de Dezembro de 1920, em Lisboa. Fez o percurso profissional na rádio, primeiro como locutor amador e aos 25 anos entrou na Emissora Nacional confundindo-se o seu percurso com a própria história da rádio. Figura das mais marcantes dos primórdios do jornalismo desportivo radiofónico, os relatos de jogos de futebol, reportagens da Volta a Portugal em bicicleta foram marcados pelo seu trabalho.
Fez depois parte do departamento desportivo da Rádio Renascença. Sobre esse percurso, entre 1980 e 1983, Ribeiro Cristovão, jornalista da Renascença e também figura incontornável do jornalismo desportivo e do relato de futebol, recorda um homem que “a certa altura foi a rádio”.
“Tinha acabado de regressar do Brasil, de um cativeiro a que se tinha sujeitado voluntariamente depois de ter sofrido muito após o 25 de Abril de 1974. E foi ali que começou a sua reabilitação”.
Com experiência de dois anos na Rádio Globo, Artur Agostinho trouxe então um novo ritmo para o jornalismo desportivo na rádio, recorda: “Abordámo-lo com o desafio de iniciar o jornalismo desportivo na Renascença, que não existia de forma autónoma. Foi aí que surgiu o Bola Branca [que ainda hoje existe] e passamos a ser a rádio mais ouvida em Portugal, ajudados pelo seu saber. Foi ele que trouxe, por exemplo, o anúncio dos nomes cantados dos comentadores. Mudou até a informação, passamos a ser mais agressivos, com a preocupação de dar as notícias rapidamente e de forma séria. Não tenho a menor dúvida que ele protagonizou o início de uma espécie de revolução na informação desportiva em Portugal”.
Ribeiro Cristovão frisa também a versatilidade de Artur Agostinho dentro da rádio e não tem dúvidas em afirmar que hoje morre uma parte da história da rádio: “Não tenho dúvidas em dizer que com ele morre uma parte importante da história da rádio. A uma certa altura o Artur Agostinho foi a rádio. Desenvolveu as mais variadas actividades, dos relatos à informação, passando pelo teatro radiofónico, sempre competente em todas as áreas. Ele era a rádio”.
Com um percurso que passou também pela apresentação na TV e pelo cinema, Artur Agostinho participou em filmes como Capas Negras (1947), O Leão da Estrela (1947), Cantiga da Rua (1949), Sonhar É Fácil (1951), Dois Dias no Paraíso (1957), O Tarzan do 5.º Esquerdo (1958) e Encontro com a Vida (1960). Mais recentemente, na televisão, vinha participando em telenovelas.
Dirigiu também o diário desportivo “Record”, entre 1963 e 1974, e o jornal do Sporting. Era conhecido por ser adepto sportinguista.
Em Dezembro passado, Artur Agostinho havia sido condecorado pelo Presidente da República com a Comenda da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, num dia que classificou como “um dos mais felizes” da sua vida.
No início deste mês tinha apresentado o livro “Flashback”, no qual faz o relato na primeira pessoa das dificuldades vividas no período revolucionário do pós-25 de Abril.
Funeral decorre amanhã
O corpo de Artur Agostinho estará em câmara ardente a partir das 16h30 na capela da Igreja S. João de Deus, em Lisboa, avançou o "Record".
O funeral de Artur Agostinho deverá decorrer amanhã, acrescenta o jornal. A partir das 14h será realizada uma missa de corpo presente. O funeral segue depois para o cemitério de Benfica.
Funeral de Artur Agostinho realiza-se quarta-feira
22.03.2011 - 18:00
O funeral de Artur Agostinho está agendado para esta quarta-feira, com a realização de uma missa de corpo presente pelas 14h na Igreja São João de Deus, em Lisboa, seguida do funeral, às 16h00, no cemitério de Benfica.
O radialista, actor e jornalista desportivo morreu hoje aos 90 anos no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado há uma semana. As causas da morte ainda não foram reveladas.
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terça-feira, 22 de março de 2011
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Morreu o nobre Jornalista Mário Bettencourt Resendes

O jornalista Mário Bettencourt Resendes, antigo director do Diário de Notícias, morreu hoje, aos 58 anos, na sequência de cancro, disse fonte próxima da família.
O jornalista faleceu no Hospital Cuf Descobertas, pelas 02:15, e o corpo vai estar em câmara ardente na Igreja de S. João de Deus, em Lisboa, a partir das 18:00.
O funeral realiza-se amanhã, com missa ás 15.00 e saída para o cemitério dos Olivais às 15.45, onde será cremado (17.00).
Actualmente, Mário Resendes desempenhava a função de Provedor do Leitor do jornal Diário de Notícias (DN).
Apesar de ter sido, nos últimos anos, um dos comentadores políticos mais presentes na televisão e na rádio, Mário Resendes tornou-se conhecido por ser director do Diário de Notícias, cargo que ocupou no início da década de 90 e de onde saiu em 2003.
Nasceu em 1952 em Ponta Delgada e começou a sua carreira no jornalismo em 1975, depois de ter sido "apanhado" pelo 25 de Abril quando estava no quinto ano do curso de Gestão de Empresas e Economia.
Com as aulas paradas e a sociedade em convulsão, Mário Resendes resolveu ir tirar um curso de jornalismo a Paris. Nunca mais voltou à economia.
Em 1975 foi estagiar como jornalista do Diário de Notícias e, no final do estágio, entrou para a equipa fundadora do Jornal Novo, um jornal pós-revolução politicamente activo. Ainda passou por uma revista semanal chamada Opção mas pouco mais de um ano depois, em Novembro de 1976, voltou ao DN, onde ingressou nos quadros.
No DN foi, sucessivamente, redactor de Política Nacional, editor do suplemento "Análise DN", coordenador das secções de Política Nacional, Economia e Trabalho, e director adjunto.
Quando o título foi privatizado, em 1991, já era director-adjunto, tendo passado a integrar o grupo Lusomundo. Mário Resendes foi director do DN entre 1992 e 2004, ano em que passou a integrar o conselho de administração da Lusomundo.
Quando o jornal passou para as mãos do grupo Controlinveste mantinha-se no cargo e afirmou sempre ter uma relação excelente com o empresário Joaquim Oliveira.
Depois de sair da direcção do DN, tornou-se, em 2007, provedor dos leitores daquele título, cargo cuja criação aconteceu por sua iniciativa.
Apesar do interesse no jornalismo ter perdurado mesmo depois de sair da direcção do DN, deixou para trás um sonho que considerou inconcretizável: ser governador de Macau. "Tenho um grande fascínio pelo oriente e deve ter sido extremamente interessante o exercício daquelas funções e a relação com a República Popular da China", disse numa entrevista.
Além de jornalista, Mário Resendes foi professor de Comunicação Social no Instituto Superior de Comunicação Social, moderador de mesas-redondas, analista político e responsável por programas na RTP e na Rádio Comercial e comentador político na TSF.
Assumiu ainda a vice-presidência da comissão directiva europeia da Associação de Jornalistas Europeus, a presidência da assembleia geral da secção portuguesa e em 1994 foi nomeado, pela Comissão Europeia, para fazer parte do Conselho Consultivo dos Utilizadores (Bruxelas).
Membro do conselho director do Centro Europeu de Jornalismo, foi galardoado com o Prémio Europeu de Jornalismo, atribuído pela Associação de Jornalistas Europeus, em 1993.
Foi ainda porta-voz do Movimento Informação e Liberdade, criado em 2008, com o objectivo de ser interlocutor em todos os processos de discussão de matérias de interesse para a classe dos jornalistas como a auto regulação e o acesso à profissão.
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1632283
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